POR NIKCOLAS SANTOS
Dizer que doar sangue salva vidas pode, por vezes, parecer um clichê, apenas mais uma frase de efeito. Mas para quem sentiu na pele, a doação ganha um significado mais sério. A manicure e pedicure, Melyssa Cazzarotto Domenciano foi atropelada por um carro em 2016, aos 11 anos de idade. Na ocasião, a menina ia até a casa de uma amiga, quando o motorista, que estava embriagado, capotou o veículo e atingiu Melyssa. Ela teve fratura exposta no fêmur, quebrou os dois joelhos e fraturou a bacia. A vítima precisou ser internada na Unidade de Terapia Semi-Intensiva e como o estado de saúde era grave, foram necessárias muitas bolsas de sangue. Amigos, familiares e até pessoas de outras cidades se mobilizaram. E deu certo: Melyssa foi salva. Hoje, aos 16 anos, ela fala sobre a gratidão de ter sobrevivido.

“Eu fico muito emocionada em saber que hoje eu estou viva pela doação de sangue e que tem muitas pessoas que fizeram isso por mim. Teve muita campanha, vieram pessoas até de cidades vizinhas pra poder doar (…)É muito gratificante, porque não tem nada melhor que isso: saber que fui salva por outras pessoas que doaram, simplesmente por um ato de amor”, contou. Depois de sofrer o acidente, a jovem tornou-se uma doadora de sangue. Inclusive teve de superar o medo de agulha para poder ajudar a salvar vidas. Agora, ela incentiva outras pessoas a também adotarem essa prática.
“Gente, pra quem não doa sangue ainda, eu queria dizer: vão doar, vão fazer esse ato de amor ao próximo, porque se um dia for você que precisar, outras pessoas estarão lá por você”, ressaltou.
BANCO DE SANGUE
Apesar de ser um ato tão nobre, o Banco de Sangue de São João da Boa Vista tem registrado queda no número de doações nos últimos meses. Segundo a enfermeira responsável, Andreza Arcuri, os estoques estão 40% abaixo do ideal e os tipos sanguíneos que mais estão em falta são os negativos, principalmente o O. A enfermeira responsável aponta que um dos principais motivos para essa queda nos últimos meses é a pandemia da covid-19, porém ela garante que todos os protocolos de higiene são seguidos. Mas a proliferação do coronavírus e a vacinação alteraram os requisitos de doação.
“Quem contraiu a covid-19 tem que esperar, pelo menos, 30 dias após acabar todos os sintomas para realizar a doação. Já quem tomou a vacina da covid, tem que aguardar um prazo de, pelo menos, dois dias, caso tenha tomado a Coronavac. E se tomou as outras vacinas como AstraZeneca, Pfizer e Janssen tem que esperar pelo menos sete dias para poder realizar a doação”, explicou Andreza.
COMO SER UM DOADOR
Além de obedecer aos critérios relacionados à covid-19, há outros requisitos estabelecidos que o doador precisa atender. “O candidato a doador tem que estar em boas condições de saúde, apresentar documento oficial com foto, ter entre 16 e 69 anos, pesar acima de 50 quilos e ter um repouso mínimo de seis horas na noite anterior”, salientou a enfermeira responsável.
Para doar sangue, também é necessário não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores; não fumar pelo menos 2 horas antes da doação; evitar alimentos gordurosos; não ter realizado nenhuma cirurgia recentemente; não ser portador de doenças infectocontagiosas; não ser usuário de drogas; não estar com febre, gripe e diarreia; não ter feito tatuagem ou colocado piercing há menos de 1 ano.
Cumprindo os requisitos, basta ir até o Banco de Sangue, localizado na Avenida João Osório, 701, ao lado Santa Casa Dona Carolina Malheiros. Os horários de coleta das doações são de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h, e aos sábados, das 7h às 11h30. Vale destacar que menores de 16 e 17 anos precisam levar uma autorização por escrito dos pais ou responsáveis. Os homens podem doar a cada dois meses e são permitidas quatro doações por ano. Já as mulheres estão autorizadas a fazer uma doação a cada três meses, com limite de três doações anuais.

CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO
Preocupado com o baixo número de doadores, o Rotary Club de São João da Boa Vista iniciou, no ano passado, uma campanha para incentivar a doação de sangue. O grupo tem publicado vídeos em suas redes sociais com personalidades sanjoanenses reconhecidas em nível nacional pedindo que a população vá ao Banco de Sangue. O narrador esportivo Luís Roberto de Múcio e a atriz Giovana Lancelotti estão entre os participantes da campanha.
Além desse movimento, o Rotary fechou parceria com a Associação Comercial (ACE) para distribuir banners, panfletos e camisetas nos estabelecimentos comerciais para incentivar a doação de sangue. “A ideia já foi passada para a ACE e já estamos planejando quando fazer a ação porque um dia só não resolve, aí vai dar aquele ‘boom de doadores’, depois para de novo. A ideia é sempre ter doadores, mesmo porque o sangue tem uma validade, então não dá para ficar estocado por muito tempo. Então a ideia é fazer essa divulgação todo mês, usando todos os recursos que temos”, salientou o presidente do Rotary Club, Waldran Réggio Pereira.












