POR DANIELA PRADO

Quase sempre o empreendedorismo surge inesperadamente na vida de algumas pessoas – é como se o próprio caminho viesse ao encontro dos seus seguidores e não o contrário. Para esta edição, César Matielo, Talita Matielo e Giselle Migralti Dal Ava, que mantém o Cravo & Canela Café, e Dorival Rodrigues de Lima, diretor da AD Velas, contam um pouco de suas trajetórias. Acompanhe e inspire-se neles, caso esteja com a ideia de empreender.

Gisele, Cesár e Talita – Cravo e Canela

Como surgiu a ideia de montar o Cravo e Canela Café?
No inicio não era nada do que se tornou o ‘Cravo & Canela’. Estávamos procurando um espaço que a Gisele pudesse usar como ateliê, ao mesmo tempo expor numa loja, algumas coisas que ela faz e trazer algumas peças de artesãos da região também. E nessa de procurar um lugar, encontramos aquela casa, naquele ponto e configuração. E o imóvel é que foi despertando na gente até um sonho antigo. Tínhamos a ideia de, um dia, ter um café ou algo do tipo, mas não para agora. E cada um foi dando sugestões de como ocupar o espaço, com um café, um outro ambiente para roupas, que é a parte da boutique, e a gente foi meio que preenchendo aquele espaço com coisas que já eram do nosso cotidiano, do nosso perfil. E complementando, nós não éramos do ramo. Profissionalmente, nunca atuamos nessa área de roupas, de ter artesanato ou um café. Nós não viemos desse ramo e, para a gente, tudo é novidade também.

Além do cardápio da casa, vocês também oferecem espaço para outros empreendedores. Como funciona essa parte?
O espaço dessa casa acaba atraindo outras pessoas, outros trabalhos porque, como tem muita coisa, a gente não dá conta de fazer tudo e nem tem essa pretensão. E nós pensamos que ele poderia ser muito acolhedor de outros trabalhos e de outros empreendedores. A mãe da Gisele é artesã e uma das maiores dificuldades que uma artesã tem é conseguir expor seu produto.

Às vezes a pessoa tem uma boa ideia, tem um produto de qualidade, um produto diferenciado, mas falta uma vitrine que lhe dê visibilidade. Normalmente esse pessoal depende de um trabalho colaborativo, depende de cooperativa, de grupos. E pensamos que a casa poderia ser esse espaço. Então as pessoas procuraram a gente, ou nós procuramos algumas delas. Até hoje ainda somos procurados e também procuramos parceiros.

Cedemos o espaço da casa para que a pessoa exponha esse produto. Lógico que há um critério de afinidade e o próprio artesão ou empreendedor entende esse lado, quando nos procura, falando ‘olhe isso aqui é a cara do Cravo & Canela’. E não é só expor os itens, mas contar a história desse produto, de quem é a pessoa que faz, o porquê de fazer aquilo, qual é o diferencial daquele produto. Nesse sentido é um espaço colaborativo, feito a muitas mãos.

Como é a rotina de um empreendedor do seu segmento?
Rotina de um empreendedor, na nossa visão, é muito caótica. Quando você é empreendedor e tem seu próprio negócio, você acaba descobrindo, todos os dias, quais são os desafios. Diariamente vai entendendo quais são as demandas e tentando ‘matar’ aquela agenda. Então a rotina, não é bagunçada, mas é caótica porque, normalmente, quando você está empreendendo e, como no nosso caso, não é do ramo, você vai descobrindo tudo. E isso faz com que a rotina seja caótica, mas caótica não é necessariamente negativa, porque faz parte do trabalho. Faz com que você não tenha uma rotina monótona. Sempre tem alguma coisa acontecendo e de tédio você não morre, com certeza.

Sobre o trabalho, dá e muito! Não só pelas inseguranças de se aventurar numa área que normalmente é nova, mas sobretudo pela burocracia da formalização de ser empreendedor, que é muito chata. No caso dos empreendedores, um caminho possível para superar esse desafio, para não desanimar, é não perceber o seu trabalho como um trabalho. A origem da palavra ‘trabalho’ é castigo. Você tem que entender as coisas, não como um trabalho, mas como algo prazeroso.

Se você encontrar, no que está empreendendo, algo prazeroso, que você olhe e diga ‘realmente, o mundo que eu estou inserido fica melhor com esse produto’, isso vai fazer seu olho brilhar todos os dias, vai te dar ânimo para que, nos momentos difíceis, que não são poucos, você não desista.

E vocês continuam atuando nas profissões de origem, em paralelo ao Café. Como conciliar?
Nós continuamos com as outras atividades e vamos, na medida do possível, tentando conciliar tudo. A casa fica aberta das 15h às 21h, mas antes disso tem todo um processo de preparação e depois disso também tem o processo de finalização. Mas a gente tem uma equipe muito boa, temos nos ajudado bastante nessa missão de conseguir conciliar tudo. E o segredo é conseguir também delegar. Você tem as ideias, você… Você monta as receitas, faz as coisas, mas você tem que aprender a delegar as coisas também para que o tempo funcione bem.

Especificamente, eu acho que é mais difícil para o César fazer essa conciliação, pois ele tem mais atividades paralelas, pois ele tem a banda Pop Mix, tem a escola, tem que conciliar tudo isso, viagem, reuniões.
Mas também, ao mesmo tempo, a gente acaba encarando como tudo parte da mesma coisa, está tudo conectado de alguma forma, e um vai inspirando o outro e a gente vai fazendo tudo.

Dorival Lima – AD Velas

Como surgiu a AD Velas?
A AD Velas é uma empresa familiar que nasceu em 2001, em um cômodo da minha casa. Tivemos muitas dificuldades no início, tais como desenvolvimento de mercado, dificuldades em desenvolvimento de tecnologia, entregas de mercadorias, entre outros. E na mesma época, iniciava em São João a Incubadora de Empresas. Procuramos ajuda do Sebrae e ficamos incubados durante 3 anos. Nesse tempo participamos de cursos, acompanhamentos individualizados e fomos inseridos no mercado das Feiras de Negócios. Após a conclusão desta jornada, nos instalamos em um galpão comercial da cidade, onde estamos até hoje.

Quais os principais desafios que você enfrentou?
Algumas dificuldades que tivemos – e hoje estão superadas – foram: o pontapé inicial, assim que chegamos em São João da Boa Vista e sem uma verba para investir; e conquistar uma clientela tal que garantisse um rendimento médio continuo, para manter a empresa cumprindo suas obrigações.

Ao se lembrar lá do comecinho e analisar a situação da empresa hoje, você diria que a meta da AD Velas está cumprida?
Estamos mais confortáveis do que quando começamos, pois, como inferi antes, agora temos uma base de clientes ativos ao longo do ano. Uma das nossas metas era o reconhecimento no mercado nacional e estar entre as principais marcas de velas. E hoje podemos dizer que alcançamos essa meta, pois vendemos no atacado para todos os estados do país, além da crescente venda em São João e região.

Contudo, ainda faltam muitos objetivos a serem alcançados, como a exportação de velas e também a perpetuação da marca através da nova geração da família, que já está conosco e almeja a continuidade da empresa. A conquista do mercado nacional veio por meio da participação das principais feiras de negócios das áreas de presentes, Natal e decoração e muita dedicação para entregar um produto de qualidade, no prazo combinado com o cliente.

Como é o seu dia a dia na AD Velas?
Todos os dias, tomamos a decisão de fazer o nosso melhor. Estudamos as tendências do mercado em relação a modelos, cores, aromas, ouvimos o feedback dos nossos clientes, que sempre nos trazem novas ideias e sugestões. O dia a dia é puxado, porém muito gratificante. Nossas forças são sempre renovadas através da nossa fé em Jesus Cristo. A cada novo obstáculo, pedimos a Ele sabedoria para seguir em frente.

Aos que desejam empreender, que conselhos você deixaria? Quais os principais ensinamentos?
Fé em Deus, disciplina, busca pelo conhecimento e muita disposição e mão na massa.

Como é trabalhar em uma empresa familiar?
Desde os meus pais, que sempre tiveram negócios familiares, comércios locais, então pra nós os desafios são os mesmos do que se fosse qualquer outra empresa, a gente não tem uma forma de comparar. Mas a responsabilidade, a gente acredita que é um pouco mais difícil, porque a gente tem que saber delegar muito bem a função de cada um dentro da empresa, e a gente tem que saber se cobrar sem levar pro lado pessoal e sem brigar, né?

E como a gente tem liberdade de horário, liberdade de ir e vir, às vezes a gente marca compromissos, sabendo que posso faltar da empresa naquele certo horário, mas eu vou reportar depois à noite, ou se vai chegar sábado e domingo, se precisar trabalhar, eu vou trabalhar, então assim, a nossa liberdade pra montar nosso horário é muito importante.