POR PEDRINHO SOUZA E MATEUS ANANIAS

No início do século XX o mundo tinha menos de 2 bilhões de habitantes, sendo que, hoje, são mais de 7 bilhões. O Brasil contava com cerca de 1.300 cidades (atualmente o número atinge 5.570 municípios) e a população brasileira evoluiu de 30 milhões para aproximadamente 210 milhões de habitantes. Muita coisa mudou desde a fundação da loja, na rua Saldanha Marinho, próximo à esquina com a rua Tiradentes, localizada bem no centro da cidade. A empresa teve de se reinventar diversas vezes desde sua inauguração, em agosto de 1919 – pouco menos de um ano após o fim da Primeira Guerra Mundial, a “guerra para acabar com todas as guerras”. Passou pela crise de 1929, pelo golpe paulista, a revolução de 1932; assistiu à ascensão do nazifascismo – inclusive na cidade – que culminou com a Segunda Guerra Mundial; por diferentes planos econômicos e crises, incluindo a atual; e continua em atividade até nossos dias, já na quarta geração da família. Atualmente a Casa Giordano conta com mais de 20 mil itens e é uma referência em presentes e utilidades domésticas, em toda a região.

INÍCIO DAS ATIVIDADES

Tomazina Giordano nasceu no dia 11 de setembro de 1881, na região de Rivello, na Itália. Em 1909 veio para o Brasil encontrar o marido, Vincenzo Giordano, que no ano anterior chegou ao Brasil e estava na companhia de um parente já radicado em São João da Boa Vista. Vicenzo veio trabalhar como folheiro (que é uma espécie de funilaria, utilizando folhas de flandres). O casal tinha dois filhos: Nícola e Rafaella.
Na leva de imigrantes italianos que aqui chegaram, havia grupos de profissionais que relutaram em ir para as lavouras de café para substituir os escravos abolidos (1888). Principalmente os sapateiros e folheiros, que possuíam requintado gosto e dotes artísticos. Após o reencontro, o casal teve mais dois filhos: Rufina e Lourenço.
Em uma de suas viagens a trabalho pela zona rural, Vincenzo sofreu um acidente, caindo de sua montaria e se ferindo gravemente. Sendo transportado ao hospital da cidade vizinha, Poços de Caldas, veio a falecer.

Dona Tomazina, como era conhecida, perdeu o marido precocemente e teve de cuidar da casa, dos filhos e se adaptar a uma língua que pouco dominava: o português. No meio desse cenário de desamparo, buscou algum meio para sustentar a família e, com ajuda de José Maringolo, o qual era casado com Rosa Buoncristiano Maringolo, sobrinha de Tomazina, abriu um comércio. Precursora da Casa Giordano, Dona Tomazina iniciou um pequeno empório vendendo produtos de alimentação, no estilo secos e molhados, algo muito característico da época em que se vendia um pouco de tudo em armazéns, onde a principal forma de pagamento era a caderneta. Anos mais tarde, Nícola Giordano começou a trabalhar e acabou assumindo o estabelecimento, consolidando a segunda geração da família à frente do armazém.

EVOLUÇÃO

Em 1938 a Casa Giordano acabou se mudando para o local onde ainda hoje se encontra, na rua Saldanha Marinho, 451. Nesta época, além de empório, a loja começou a trabalhar com ferragens e presentes, por iniciativa de Júlia Milan Giordano, esposa de Nícola. “A Dona Júlia Giordano trabalhou na loja numa época em que não havia calculadora e as contas eram pagas pelos clientes da zona rural, uma vez por ano. Ela anotava tudo em caderneta e as contas eram feitas no lápis e papel”, recorda Maria Inês, nora de Dona Júlia e esposa de Nildo Giordano.

É importante lembrar que até a crise de 1929, o Brasil era uma economia cafeeira, extremamente dependente do mercado internacional. Com o auge da crise, o nível de renda naquele período recuou entre 25% e 30% e o preço dos produtos importados se elevou – em média – 33%. É nesse período que ocorre a perda da hegemonia política pela burguesia cafeeira, em favor da classe industrial e urbana ascendente, ávida por modernidade, mais comodidade e tendências ditadas pela França, no final da belle epoque.

PRESENTES E UTILIDADES DOMÉSTICAS

É nesse cenário que a Casa Giordano começa a mudar seu foco para exclusivamente presentes e utilidades domésticas. Essa consolidação ocorreu quando Nildo Giordano, filho de Nícola e Julia, assume os negócios da família. O casal também teve uma filha, Eunice Giordano. Em pouco tempo, com a terceira geração da família, a empresa se torna referência regional.

Em 1982 foi construído o prédio onde a empresa se situa até hoje: e Sérgio Galvani Giordano, bisneto da Dona Tomazina, assume a gestão dos negócios. Sérgio, que continua à frente da empresa até os dias atuais, oficializa a quarta geração da família nos negócios e pretende chegar muito mais longe.

ATUALIDADE E CENTENÁRIO

A Casa Giordano tem uma área de 800 metros quadrados, contando com a loja e os depósitos; além de mais de 20 mil diferentes itens entre artigos de porcelana, cristal, inox, alumínio, plástico, eletrodomésticos e cutelaria. “Pode-se dizer que no ramo de atividade em que a gente atua, é a maior e mais completa loja da região. Em todo esse tempo no comércio, sempre buscamos atender o cliente da melhor forma”, conta Sérgio. Ele explica que se sente muito honrado em estar à frente da empresa, por ocasião de seu centenário. “Infelizmente, não são todas as empresas que conseguem atingir essa marca. Então, me sinto honrado por continuar com essa história, que vem lá de trás, com a Dona Tomazina”.

DIVERSIDADE DE PRODUTOS – Hoje, sob o comando de Sérgio Galvani Giordano, a loja reúne mais de 20 mil itens de diversas áreas domésticas, sendo uma das maiores do setor na região.

Ele também detalha que a empresa está fazendo projetos para realizar eventos, a fim de marcar a data. “É um ano especial, temos um projeto de mudar a nossa logomarca e vamos continuar evoluindo, dando condições de compra mais atrativa e mantendo o nosso atendimento diferenciado, que é nosso forte desde que iniciamos nossas atividades”, finaliza.