A história de luta e dedicação da família Pipano, no caminho para o sucesso.
POR MIRELA BORGES
Uma das mais famosas pianistas do mundo era sanjoanense. Guiomar Novaes começou a tocar piano sozinha, aos quatro anos idade, e aos quinze partiu para a Europa, para estudar em Paris. Mal chegou à França, a garota foi convidada a tocar para a Princesa Isabel, que queria ouvi-la. Guiomar chegou a ser reconhecida como a melhor pianista do mundo, segundo a imprensa americana. Do talento para piano surgiu uma amizade. Mirian Pipano, foi uma grande pianista de orquestra, proprietária e professora do antigo Conservatório Guiomar Novaes.
Com pai palestino e a mãe turca, Mirian nasceu em Tel Aviv, Israel, mas logo vieram para São João da Boa Vista.
INÍCIO PRECOCE
David começou a trabalhar aos dez anos de idade e alguns anos depois foi “ganhar a vida” na capital paulista. Aos dezoito voltou a São João para alistar-se no Tiro de Guerra. Já sem emprego, decidiu investir em um escritório de contabilidade. “Nesta época, entediado, resolvi aprender a tocar sanfona. Aprendi a tocar em seis meses e comprei uma sanfona branca, feita sob medida. Na manhã de um sábado, enquanto tocava o instrumento em meu escritório, um trabalhador rural entrou em minha loja e insistiu para que eu lhe vendesse a minha sanfona. Decidi vender o instrumento e dias depois comprei outra, vermelha. Logo depois este rapaz voltou com um amigo que gostaria de comprar, também, e assim foi”, relembra David.
Na década de 1940, os irmão Pipano – Abrahan, David e Daniel – inauguraram a loja Palácio da Música, que comercializava vitrolas, pianos, sanfonas e artigos musicais. Já na década de 1950, eles se associaram-se a Francisco Paulino de Abreu, proprietário da fábrica de Harmônicas Brasil, localizada na Rua Saldanha Marinho, 38. “O dono da fábrica em que eu comprava os instrumentos me pediu para ser seu sócio”, conta. Nascia dessa fusão a Indústria de Harmônicas Torino Ltda.
Com o passar dos anos, a empresa crescia cada vez mais. Paulino de Abreu decidiu vender sua parte a ele, o que permitiu que a empresa estivesse sob o controle da família Pipano por quatro décadas, até os anos noventa. O historiador Augusto Procesi, publicou no Almanaque do Sesquicentenário de São João da Boa Vista, em 1974, que “as indústrias dos Pipanos são, a nosso ver, uma das colunas que sustentam o nosso parque industrial local”. David realizou vários investimentos, construindo filiais em cidades da região e, após indicação de um dos fornecedores de matérias primas para os instrumentos, comprou uma fábrica que produzia violões. Em uma dessas viagens conheceu quem seria sua atual esposa.
Casado há mais de 50 anos, David se emociona: “a Torino cresceu tanto, vendia instrumentos para todo o Brasil e outros países. Foi minha maior conquista, sempre trabalhei duro e com muito amor. Tudo o que tenho é fruto da fábrica”. Na loja vendiam violas, violões, cavaquinhos, tambores, pandeiros… instrumentos para fanfarras que empregavam mais de cem pessoas. Em paralelo com a Torino, David trabalhou em vários outros projetos, desde agropecuária, com criação de gado, até administrar depósito de madeira, negócio que mantém até hoje, a loja Planalto Materiais de Construção.
ÓRGÃOS ELETRÔNICOS
Na década de 1950 músicos de jazz como Jimmy Smith, Buddy Cole e Earl Grant começaram a usar o som distinto de um novo instrumento: o órgão eletrônico. Na década de 1960, ele se tornou-se muito popular entre grupos de música pop e, de olho nessa oportunidade, em 1964, David e seus irmãos criaram a Instrumentos Musicais Saema, que fabricava órgãos eletrônicos (foto ao lado). Os órgãos foram parte relevante do som inovador das bandas de rock Deep Purple, Procol Harum e Uriah Heep no início da década de 1970, quando teve seu ápice de popularidade, até a proliferação dos sintetizadores, em especial os polifônicos.

AINDA NA ATIVA
Aos 90 anos, David continua ativo e trabalhando. se engana quem acha que isso o prejudica, pelo contrário, ele se orgulha em dizer que: “por toda a minha vida eu trabalhei, não quero ficar parado agora. Eu sou capaz de continuar lutando”.












