POR DANIELA PRADO
A palavra empreender, independente do ramo, sempre desperta a ideia de algo inédito, próprio de mentes criativas e ousadas. Sim, pois o verdadeiro empreendedor, seja qual for a formação acadêmica, é alguém com espírito de aventura, no sentido de abrir um próprio negócio, único e diferenciado, confiante de que tem para oferecer justamente aquilo que o mercado procura e o que ainda não existe, fruto de uma ideia original.
Às vezes, o empreendedor promove um processo de aculturação, ao colocar em prática traços e características próprias e apresentá-las a um novo público, para que conheçam e apreciem – aventura que, dependendo do ramo de negócio, pode ser arriscada. Outros, por sua vez, já observam o que caiu no gosto do público-alvo que desejam atingir e, mesmo fazendo pesquisas de mercado, partem para as franquias. Nesses quesitos, São João da Boa Vista conta com estabelecimentos que comprovam a ousadia e espírito empreendedor de seus criadores: a Sandaliaria, no setor calçadista e de acessórios, cuja proprietária é Priscila Vidal; e a Maria Tapioca, no gastronômico, iniciativa de Araoni Cardoso, um paraibano radicado em São João.
Como sua empresa começou?
A Sandaliaria é uma franquia. Conhecemos uma das lojas em um shopping, nos encantamos com o modelo de negócio que trazia uma loja de chinelos multimarcas e um sistema de personalização de calçados, na hora. Fomos conhecer melhor o sistema de franquia e logo fechamos o negócio, dando vida à Sandaliaria São João, em novembro de 2014.
Como é feita a divulgação? Vocês acreditam naquele
ditado “a propaganda é a alma do negócio”?
Já usamos muitos tipos de divulgação, mas as que mais vemos resultado são as publicadas nas redes sociais. E sentimos no dia a dia que o “boca a boca” é muito importante pra nós, que estamos em uma cidade de interior. Com certeza propaganda é a alma do negócio, devemos usar e abusar de todos os meios para lembrar as pessoas que o nosso negócio existe. É muito nítida a percepção de queda no movimento e procura quando não temos tanta frequência na divulgação da loja e dos produtos.
Nesses anos de funcionamento, houve períodos de baixa?
Nos dois primeiros anos (2015/2016), enfrentamos a crise decorrente da situação política do país. Além disso, em 2016, fiquei um período afastada da loja pra viver a maternidade e senti que fez total diferença não estar presente todos os dias.
Nesse caso, como superá-los? Há alguma estratégia?
Em primeiro lugar não se desesperar. Manter o foco é fundamental. Manter o controle do negócio, planilhar tudo foi o que nos fez ter uma visão geral de como andava o nosso negócio e tudo o que precisávamos fazer para nos mantermos vivos no mercado. Conseguindo controlar os gastos, mas também conseguindo atender aos nossos clientes.
Qual a dica para quem quer abrir o próprio negócio?
Escolha algo que você realmente goste. Você precisa passar confiança daquilo que vai vender para o cliente. No nosso caso, por ser franquia, tivemos um norte de tudo, desde a escolha do melhor ponto, layout da loja, treinamento, escolha dos produtos. E isso facilitou demais. A minha dica é: Tenha em mente que o retorno de todo investimento pode levar alguns anos, mas tenha paciência, pois cada degrau que você subir ou descer durante essa caminhada servirá de experiência, e num futuro bem próximo, se for tudo bem administrado, valerá a pena.
Você considera que é preciso inovar para
continuar no mercado? O que faz nesse sentido?
O tempo todo. Principalmente nesses novos tempos que estamos vivendo. Se não mudarmos as estratégias e agirmos, ficaremos para trás, dando lugar para a concorrência. Estamos sempre em busca de novos produtos dentro do nosso nicho de mercado, para atender uma maior demanda de clientes.
Em relação ao futuro, como você imagina seu negócio?
Almejamos crescer sempre. Temos muitos planos no papel, muitas ideias que pretendemos colocar em prática, mas, dando um passo de cada vez, chegaremos lá.
Você considera que o tratamento, humanizado faz
toda diferença no sucesso de um empreendimento?
Não tenho dúvidas de que faz toda diferença. Com os funcionários, deixá-los mais motivados conta muito para que eles também queiram e façam o negócio girar e crescer. Com os clientes, que pessoa não gosta de ser bem tratada, bem atendida? O bom atendimento está muito além de tratar o cliente bem. É preciso entender o que ele precisa, satisfazer a necessidade, criar um relacionamento de confiança e, se tudo isso for feito, gera total engajamento.

Como sua empresa começou?
Desde minha formação em Administração, no ano de 2007, sempre tive o desejo de abrir um negócio próprio. Após 10 anos presos a uma rotina desgastante, minha esposa e eu decidimos mudar de cidade e colocar à prova nossa veia empreendedora. Minha irmã já morava em São João da Boa Vista e compartilhava do mesmo desejo. Após conhecer a cidade, em novembro de 2014, decidimos que aqui seria nosso destino. Depois de quatro meses de planejamento à distância, nos mudamos para São João e demos início ao projeto.
A escolha do nome foi por alguma razão especial?
O nome Maria Tapioca veio de um apelido colocado na minha irmã, Daliane, pelo seu marido. Ele, sanjoanense, admirado pelo consumo diário de tapioca em sua casa, resolveu chamá-la carinhosamente de Maria Tapioca. Quando decidimos abrir o negócio, essa foi a primeira sugestão de nome e, de cara, já gostamos. Após criação da logomarca e identidade visual, a Maria Tapioca ganhou vida e personalidade própria.
Há quanto tempo estão estabelecidos na cidade? E foi preciso adaptar os produtos ao público local?
Inauguramos a Maria Tapioca no dia 24 de julho de 2015. Sim, foi preciso fazer algumas adaptações. Afinal, estar constantemente atento às necessidades e perfil dos nossos clientes, bem como às novas tendências de mercado, faz parte da manutenção do negócio. O desafio está em atendê-las, sem comprometer nossa identidade.
Como é feita a divulgação? Vocês acreditam
naquele ditado a propaganda é a alma do negócio?
Sem dúvidas. Aquele que não crê nessa máxima, terá que aprender na prática. Hoje, nossa divulgação é feita exclusivamente por meio das mídias sociais. Contudo, o que muitos não sabem é que é preciso pagar por ela, e ter alguém bom no assunto por trás dessa comunicação. Afinal, não existe almoço grátis, muito menos, marketing.
Nesses anos de funcionamento, houve períodos de baixa? Como superá-los?
Vários. Resiliência e determinação são essenciais ao empreendedor, pois tudo interfere no fluxo da empresa. Clima, economia, obras estruturais, eventos municipais, dentre outros. Para superar É preciso identificar o que levou a empresa à crise. É importante não se colocar em posição de vítima, antes, se responsabilizar integralmente pela solução do problema. É hora de reavaliar o seu modelo de negócio e se adaptar às novas condições geradas por essa crise. É importante também, intensificar a comunicação com seu público e buscar estratégias para aumento das vendas e diferenciação competitiva. Lembrando que nem sempre promoção é a solução. No mais, é questão de se aprofundar nas finanças da empresa, cortando gastos e investimentos desnecessários para o momento.
Qual a dica para quem quer abrir o próprio negócio, independente do segmento?
Esteja disposto a trabalhar o dobro do que você trabalha hoje, ser o primeiro a chegar e o último a sair. Trabalhe com algo que você conheça bem. Seja produto ou serviço, é importante ter propriedade sobre o que se está oferecendo. Não caia na tentação de abrir um negócio simplesmente para copiar alguém que, aparentemente, está se dando bem. Lembre-se: vender muito não é sinônimo de sucesso, é preciso gastar menos do que se ganha para a conta fechar. Por outro lado, você não precisa ser o inventor de uma nova roda. Existem vários setores precisando de melhoria e é aí que você pode entrar. Por último, separe um tempo para aprender noções básicas de administração financeira. Entender sobre fluxo de caixa e preço de venda vai te livrar de uma série de problemas.
Você considera que é preciso inovar para continuar no mercado? O que faz nesse sentido?
Sim. Empresas que ficam paradas no tempo estão com os dias contados. E não precisa ser nenhum estudioso para tal, pois as novas tendências costumam vir até nós. Basta estar aberto para conhecê-las e aplicá-las, caso julgue relevante. Afinal, o grande volume de informação que trafega pelo mundo, gera a todo instante, não apenas novas tecnologias, mas também novas formas de pensar, novas necessidades e novos desejos nos seres humanos, que agora têm ao seu alcance produtos e soluções que antes não existiam.
Em relação ao futuro, como você imagina seu negócio?
Estamos há cinco anos alinhando nosso modelo de negócio. O objetivo é ter um modelo testado e eficiente com todos os processos funcionando sem gargalos. Para que, só então, possamos franqueá-lo e dar oportunidade para que outras pessoas participem da nossa história e tenham sua própria empresa com mais segurança. Então, espero que, no futuro, tenhamos várias Marias Tapiocas espalhadas por aí.












