POR DANIELA PRADO

Se existe um tipo de evento que tem, cada vez mais, tomado conta das cidades é a realização de feiras, com participação de produtores, sejam rurais, artesãos, designers ou da área gastronômica oferecendo seus próprios trabalhos. Com os mais diversos nomes, essas manifestações sempre atraem grande público consumidor.

Em São João da Boa Vista, esta análise pode começar pela própria Feira Livre, realizada semanalmente, em dias variados, como terça-feira no Jardim São Paulo (rua Henrique Martarelo) das 5h às 12h, quarta-feira no Pratinha (Rua dos Tavares) das 5h às 12h, quinta-feira no Durval Nicolau (Avenida Guilherme Guerreiro) das 5h às 12h e São Benedito (galpão Ceagesp) das 16h às 22h, sábado no Jardim Tereza Cristina, das 5h às 12h e aos domingos no São Benedito (Ceagesp), das 5h às 12h.

Segundo o Diretor do Departamento Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, João Gabriel de Paula Consentino, o principal intuito da feira livre é proporcionar alimentos frescos à população.

“Além de benefícios aos comerciantes, as feiras livres são uma forma de estimular consumidores e produtores. Os interessados em participar da feira livre devem realizar a inscrição no Setor de Tributação da Prefeitura. Na ocasião, eles devem listar todos os itens que serão comercializados e o tamanho da barraca. Após a inscrição, os interessados entram na fila de espera e a chamada ocorre conforme o surgimento de vagas. A inscrição é válida para todas as feiras”, esclarece Consentino. Ao serem convocados, os inscritos precisam apresentar a licença emitida pelo Departamento Municipal de Saúde com o respectivo curso de manipulação de alimentos, quando necessário.

FEIRA JUNTÔ


Mas as feiras de produtores de artesanato, dos mais variados segmentos, são outro modelo de comércio em expansão, que parece ter dado certo.

ATRATIVO TURÍSTICO – Artesão na área de saboaria artesanal e idealizador da Feira Juntô, César Araujo organiza mensalmente na Praça da Catedral. Desde a primeira edição, a feira atrai turistas do Brasil todo. (Foto: Leo Beraldo / Cromalux)

Que o diga César Araújo, que atua na área de saboaria artesanal e é idealizador/ organizador da Feira Juntô, que ocorre todo segundo sábado do mês, na Praça da Catedral e teve a primeira edição em julho de 2019.

“Eu tive essa ideia para ajudar principalmente o artesão sanjoanense, pois eu via que aqui, a gente não tinha uma feirinha. E precisava mesmo de uma feira assim na cidade. Eu estou sempre em Poços, na Prata, Mogi, Campinas e, em São João mesmo, não tinha. E eu queria algo que fosse completo, não só para movimentar a cidade mas a região”, conta César, sobre como lhe surgiu essa ideia.

A Prefeitura, ao receber seu projeto, que incluía mapeamento do ambiente, escolha da praça e alguns expositores convidados, ou seja, atendia a todos os requisitos exigidos para este tipo de evento, o apoiou logo de cara.

Artefatos de feltro, crochê, produtos em patchwork, roupas, produtos para pets, plantas, produtos exotéricos, chopp, lanches que agradam aos mais diversos paladares, massas, brownies… a lista de opções que se pode encontrar na Juntô é inesgotável e está sempre crescendo, a cada edição.

Para garantir um espaço, porém, César afirma que o artesão deve obedecer a algumas exigências, como se cadastrar com ele, em um prazo de dez dias, apresentando nome, endereço, descrição do tipo de produto a ser comercializado e como estes serão expostos – se em barracas, mesas e outros.

“Eu faço a seleção de acordo com o segmento, pelo tipo de produto da pessoa, para haver equilíbrio. Por exemplo, no crochê, se eu tenho o limite de três crochês e se futuramente um deles sair, eu não necessariamente vou colocar outro crochê. Posso ocupar essa vaga com produto de outro segmento. E esses três crochês também são diferentes – um é só tapete, outro só roupa e toalhinha, outro só bichinhos”, ressalta ele, completando que a qualidade e estrutura de cada produto, assim como a apresentação, são fundamentais para o candidato ser aprovado na Juntô.

A fila de espera para participar, segundo o organizador, chega a ser de 130 pessoas, fator pelo qual, se algum expositor resolver deixar de participar, dificilmente conseguirá voltar.

FEIRA JUNTÔ – (Foto: Leo Beraldo / Cromalux)

César considera que a grande importância de um evento assim é a possibilidade de mostrar sobretudo a cultura de São João, o que o sanjoanense produz, quem são os ‘nossos’ artistas, os quais nem sempre seriam conhecidos, se não houvesse uma Feira desse porte. “Eu acho super importante, não só para movimentar a cidade, porque o sanjoanense tem essa cultura de viajar no final de semana, procurar cultura e diversão em outras cidades. Com a Juntô, ele passa a ter essa opção aqui mesmo, com música, boa comida, atrações e tudo o mais. E outro ponto muito importante é o turismo, pois, desde a primeira edição, trouxemos muita gente de fora, que não veio para a feira mas estava passando por aqui e aproveitou para conhecê-la. Eu tenho um bloquinho de notas e muita gente vinda de São Paulo comentou, teve até um elogio do Rio de Janeiro, em que a pessoa registrou que gostou tanto da ideia que vai adequar suas vindas a São João com as datas das próximas Feiras”, conclui ele, satisfeito.

FEIRA SANTO JARDIM


Stephanie Costa Gustavson, moradora de Águas da Prata é também idealizadora da Feira Santo Jardim, além de fazer o marketing e curadoria de seu evento – que teve a primeira edição em estilo ‘jardim de portas abertas’, em sua própria residência.
“Apareceram mais pessoas do que eu esperava e o pessoal da Prefeitura ficou sabendo que eu tinha feito essa feira. Eu tive uma reunião com o prefeito e com a secretária de turismo, e tivemos a ideia de mudar a Feira para uma praça, até porque eu vi que minha casa não ia suportar um público maior, e para fazer uma coisa mais profissional. A ideia sempre foi a de que ‘Juntos somos mais fortes’, então reunimos o pessoal que fazia artesanato e não tinha muito espaço para expor, além de música, comida e dar esse espaço para o pessoal. Sendo em praça, a gente conseguiu abrir para mais gente”, Stephanie recorda.

ESTILO DIFERENCIADO – Stephanie Costa Gustavson, idealizadora da Santo Jardim, afirma que a ideia é fazer com que as pessoas vivam de uma forma diferente,vejam as coisas e tratem as pessoas de forma diferente. (Foto: Leo Beraldo / Cromalux)

A princípio, a Feira Santo Jardim era na Praça José Moneda, mas atualmente, acontece na Praça Basílio Ceschin, em frente ao Bosque, cujo acesso é mais fácil, principalmente para turistas.

Stephanie ressalta que a Santo Jardim é uma feira bem diferenciada e percebe que, mesmo que seja impossível agradar a todos, até por ser um evento vegetariano / vegano – filosofia que nem todos estão prontos para aceitar ou respeitar- no geral, o público tem reagido bem a esta proposta.

“Muita gente que tinha resistência antes, já está indo e levando seu copo, sua caneca, separando o lixo orgânico do reciclável e mudando um pouco a forma de alimentação. O foco principal na Feira é justamente esse: trazer essa conscientização. Não é ganhar dinheiro, é fazer com que as pessoas vivam de forma diferente”, Stephanie destaca.
E cita ainda outro detalhe, o de que, por se tratar de lanches vegetarianos ou veganos, muitas pessoas que, a princípio demonstravam reserva em experimentar, achando que não ser ia bom, quando provam, se surpreendem e passam a consumi-los.
Para ela, a energia que flui no local é determinante para que tudo transcorra em equilíbrio e o diferencial da Santo Jardim é que ninguém participe com o único objetivo de ficar famoso ou ganhar dinheiro, mas o de ser coerente e ter um comportamento, realmente, de acordo com a proposta da Feira.
“O leque de oportunidade aumenta, sim, após cada Feira, pois em cada uma, a gente conhece mais pessoas e tem sempre mais gente querendo participar, mais gente que vem pela primeira vez e sai elogiando. Eu acho que estamos em uma fase em que a tendência é que essas feiras só cresçam”, finaliza ela.

FEIRA SANTO JARDIM – (Foto: Leo Beraldo / Cromalux)

FEIRAS QUE INSPIRAM

No ano de 2017, a curadoria do Espaço Cultural Boca do Leão, na Fonte Platina, começou a perceber a necessidade que alguns artesãos locais sentiam, na hora de apresentar suas produções ao público e comercializá-las, de maneira que os deixasse confiantes em seus próprios trabalhos.

Assim, a curadoria do Espaço resolveu reunir esses produtores de arte – de São João e Águas da Prata – para refletir sobre artesanato, sanar dúvidas e ‘ensiná-los’ a valorizar o que faziam, inclusive no tocante à precificação. A partir dessas reuniões é que foi delineada a Feira do Leão, considerada a ‘semente’ ou a precursora destas Feiras de Artesanato (inclusive a Juntô) de atualmente.

A designer Carolina Araujo, que mantém a Casa da Arte, onde realiza esporadicamente algumas Feiras, também recorda que, mesmo que pareça algo recente, esses eventos tiveram início há cerca de dez anos.

“Eu estava em São Paulo, no começo da minha carreira, e participava de muitas coisas lá, tanto de feiras menores e mais alternativas, como feiras muito grandes de design, de um nível que a gente nem imagina. Quando eu comecei a trazer feiras para cá, de certa forma era o reflexo do que eu vivia lá”, enfatiza.

Para Carol, além do quesito ‘ter um local propício para expor e vender o que se produz’, essas feiras têm um propósito muito importante de conectar e incentivar pessoas, criando um intercâmbio e amizade entre elas.