Comunidade de Águas da Prata tem casas 100% sustentáveis
BAIXO IMPACTO - Desde 2014 as construções da comunidade são feitas de modo a facilitar as necessidades básicas e aproveitar as características do local, como luz, ar e relevo. Além de reduzir custos, ao optar por essa opção sustentável, 70% dos impactos ambientais dissipados nos processos industriais são reduzidos e, assim, sua casa fica de fora desta rede de exploração abusiva de recursos naturais.
Por Mirela Borges

Casas sustentáveis são aquelas projetadas e construídas a fim de respeitar o ecossistema, seguindo os princípios da sustentabilidade ambiental e garantindo o bem-estar dos moradores. Essas casas são feitas a partir de mecanismos que diminuem os impactos ambientais, como aproveitamento de água da chuva, purificação da água utilizada na casa, utilização de materiais orgânicos e energia solar.

Em Águas da Prata, há uma comunidade que possui uma construção e vivência totalmente sustentáveis. O projeto que leva o nome de Círculo Vivencial Terra Viva existe há cinco anos e funciona como um laboratório de experimentação. No cotidiano, os moradores realizam experimentos de técnicas e conhecimentos não tradicionais para suprir necessidades universais básicas em harmonia com a natureza local e consciência planetária.

O PROJETO

A motivação para criar o Círculo Vivencial Terra Viva veio a partir do respeito que os mantenedores e moradores Nathália Luvizaro e David Moisés têm por todos os seres vivos que compõem o ecossistema. Desde 2014 as construções da comunidade são feitas de modo a facilitar as necessidades básicas e aproveitar as características do local, como luz, ar e relevo.

A comunidade, que é a casa de David e Nathália, é mantida por eles próprios. Com a ajuda de um amigo, os dois constroem as casas sustentáveis com argila, areia e mato picado. Além disso, eles ainda difundem os ensinamentos cultivados lá por meio de cursos de técnicas de construção e venda de comidas e remédios naturais.

No projeto, a alimentação é à base de ingredientes naturais: o pão é cozido no sol, com aveia hidratada e trigo germinado e há também horta e pomar no local. O setor de reutilização e limpeza de água da comunidade é feito através de uma bacia de evapotranspiração; as paredes são feitas com terra do local; o banheiro é seco, o que reduz a zero o índice de contaminação do solo e das águas, além de facilitar a limpeza no dia a dia. As casas são frescas no calor e aconchegantes no frio, e ainda mantêm a umidade ideal.

Segundo Nathália, a finalidade do projeto é sair o máximo possível do mecanismo de consumo e extração da natureza e caminhar no tempo natural das coisas, mirando atender às necessidades humanas de uma maneira equilibrada.

“Temos que ter consciência de onde as coisas vêm e como são feitas e saber de perto os processos envolvidos. Devemos conhecer as necessidades e buscar alternativas mais coerentes com a paz para todos os seres”, exaltou Nathália Luvizaro.

FOCO NA NATUREZA - Nathália Luvizaro e David Moisés criaram o projeto com foco na natureza: toda a alimentação é à base de ingredientes naturais: o pão é cozido no sol, com aveia hidratada e trigo germinado e há também horta e pomar no local.

CUSTO BENEFÍCIO

A relação de custo e benefício que uma casa sustentável oferece varia muito para cada pessoa e situação. No entanto, são bem mais vantajosas que as construções convencionais. Por exemplo, um cômodo de mesmo tamanho ganha em equilíbrio de temperatura e umidade se as paredes forem feitas com terra e, se este mesmo cômodo for feito com cobertura verde, há a possibilidade de dispensar a laje e obter um ambiente fresco.

O maior investimento que uma casa ‘ecologicamente correta’ demanda é em mão de obra, pois os materiais utilizados em sua construção são naturais, como terra, madeira e bambu. Apesar disso, este mesmo cômodo pode sair até pela metade do valor de um convencional. As bioconstruções dispensam produtos de limpeza e mantém as casas vivas, além de serem práticas e precisarem apenas de breves manutenções, como uma nova camada de argila na parede, por exemplo.

“O mais interessante é que uma bioconstrução pode ter muitos recursos tradicionais utilizando técnicas simples espelhadas na natureza, como uma casa com ar-condicionado, água quente, luminosidade e móveis embutidos, por exemplo”, revelou Nathália Luvizaro, fundadora e mantenedora do projeto Círculo Vivencial Terra Viva. Além de reduzir custos, ao optar por essa opção sustentável, 70% dos impactos ambientais dissipados nos processos industriais são reduzidos e, assim, sua casa fica de fora desta rede de exploração abusiva de recursos naturais.