POR MARYÁ REHDER AMBROSO

Passam-se anos, passam-se séculos e o tema família sempre é notabilizado. Seja na área social, educacional ou biológica sempre há um espaço para se discutir esse contexto. Por um lado a família vem como centro de atenção por ser um espaço privilegiado para arregimentação e fruição da vida emocional de seus componentes, e por outro, tem despertado interesse, pois ao mesmo tempo em que sob alguns aspectos mantém-se inalterada, apresenta uma grande gama de mudanças. Sendo a curiosidade dos estudiosos voltada a esse ou aquele ponto, o que não pode ser negado é a importância da família, tanto no nível das relações sociais nas quais
ela se insere, quanto no nível da vida emocional de seus membros.

A história da família é longa, não linear, feita de rupturas sucessivas onde toda a sociedade procura acondicionar a forma da família às suas necessidades. Mas essas transformações não querem dizer que a família, tal qual herdamos de séculos passados,esteja efetivamente se estilhaçando nesse novo milênio.

O que ocorre é que outra configuração familiar está a caminho: a que tenta conciliar a liberdade individual com laços afetivos do velho lar. E dentro dessas diversas transições, há uma conjuntura que persiste há gerações e traz consigo marcas austeras para os provedores. Trata-se da Síndrome do ninho vazio (SNV) que consiste em um desconforto emocional pontual, vivido pelos pais ao terem a percepção de que seus filhos estão se tornando independentes e deixando suas casas. Sintomas como o sentimento de tristeza, de angustia, de perda, de solidão, de inutilidade, de vulnerabilidade, de desvalia, entre outros, fazem parte desse processo de rupturas e a permanência de tais sintomas por um período significativo pode promover a depressão, gerar crises de ansiedade e ocasionar psicossomatizações transformando, assim, o sofrimento em dores fisiológicas antes inexistentes.

A SNV é trivial em mulheres, mas isso não quer dizer que os homens sejam imunes a ela. Os pais também podem vivenciar os mesmos sentimentos de perda dos filhos e, por isso, terão que se esforçar para se adaptarem a essa nova rotina. E para haver a superação dessa fase dolorosa, o primeiro passo é reconhecer que se trata, sim, de um processo delicado, mas que tem hora para acabar. Assim sendo, para combatê-la é essencial aceitar que o ciclo vital é constituído por diversas fases e que o período de declínio envolve perdas, onde transações familiares são comuns, seja em tarefas, em crescimento pessoal ou na função parental. Após a conscientização, inicia-se uma nova etapa de vida onde os pais devem se redescobrir como indivíduos buscando novos prazeres, afazeres e procurando estreitar a relação amorosa com seu cônjuge. Afinal, nunca é tarde para reascender a paixão. Aos filhos, cabe o diálogo e cuidados com esses pais no intuito de consolá-los e fazer com que eles entendam que há a possibilidade de conciliar a distância e a liberdade individual com as vantagens da solidariedade, da fraternidade, da ajuda mútua, dos laços de afeto e do amor familiar.

Porque embora o ser humano lute pela sua individualidade, nunca se deve deixar cair no esquecimento de que a casa é, cada vez mais, o centro da existência, pois é o lar que oferece bons exemplos, um abrigo, uma proteção e um pouco de calor humano, contrapondo-se ao mundo duro e frio que se encontra do lado de fora do ninho.

APEGO EXAGERADO AO FILHO PODE
DESENCADEAR SÍNDROME DO NINHO VAZIO

A síndrome do ninho vazio é considerada, pelos profissionais da área, como uma crise existencial passageira. Dependendo de alguns fatores, como o número de filhos e a personalidade da mulher, tudo pode ser apenas questão de se acostumar à nova rotina. No entanto, pode haver exacerbação nos sintomas de tristeza e, nesses casos, é aconselhável tratamento psicológico. Para que as mães não sofram com a saída dos filhos da casa, é importante que haja a preparação para a chegada da nova realidade. É importante que a mulher separe a vida dela da vida dos filhos, o máximo possível. Faz parte disso ampliar a rede social, passear, ter atividade remuneradas ou não, mas que sejam feitas fora de casa e que ajudam a mulher a ter outro papel que não seja o da mãe clássica.