POR JEFERSON BATISTA
Por acreditarem na possibilidade de uma sociedade mais justa, jovens da região de São João da Boa Vista estão engajados em causas socioambientais. Ativistas e voluntários transformam suas atividades em organizações não-governamentais (ONGs) em propósitos de vida, colocando em primeiro lugar a coletividade.
O interesse pela natureza levou Natan Batissoco, 22 anos, a integrar o Greenpeace, instituição global que atua em defesa do meio ambiente por meio de intervenções não violentas para conscientizar a sociedade sobre a questão ambiental. “Dentro da organização, sinto-me inspirado em colaborar por um lugar mais verde e justo, por igualdade e pelas nossas florestas”, afirma Batissoco, que divide suas ações na ONG com o trabalho de auxiliar de serviços gerais, na Prefeitura de São João da Boa Vista. Valores semelhantes também inspiram a professora de História, Aliny Ronchi Leme, 28 anos, a integrar a Anistia Internacional, movimento global com mais de três milhões de apoiadores, membros e ativistas, que atuam para proteger os direitos humanos. “Ser uma ativista dos direitos humanos reflete quem sou e o que penso sobre como deve ser uma sociedade justa e democrática. É questão de humanidade e de cidadania”, diz.
As necessidades mais urgentes precisam ser atendidas ao mesmo tempo em que as soluções duradouras devem ser apresentadas pelo Estado, bem como por toda a sociedade. Diante disso, voluntários buscam desenvolver ações para oferecer o básico para inúmeras famílias.

A ONG VOA, criada em abril de 2019, tem como objetivo ajudar crianças, idosos, pessoas em situação de rua que precisam de roupas, calçados e alimentos. “Tendo o altruísmo como norte, nós surgimos no sentido de tentar mudar essa realidade e mostrar que é importante acolhermos e levar dias melhores pra essas pessoas que acabam sendo invisíveis aos olhos da sociedade”, explica o fundador da organização, Tarcísio Munhoz Guarnieri, 25 anos.
As populações indígenas, muitas vezes marginalizadas e vítimas, inclusive de preconceito, são o foco da ONG Univida, onde atua o psicólogo Thales Frazão, 30 anos. Para ele, se engajar em questões sociais e ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade são ações que fazem parte de sua vida.
TRANSFORMANDO A REALIDADE
Criada há 10 anos, a ONG da qual Frazão faz parte realiza missões em aldeias em Dourados (MS) e Amazônia, levando jovens universitários brasileiros a conhecerem uma nova maneira de entender o mundo. “Atuamos com profissionais da saúde e outras áreas e estudantes de cursos de graduação. Somos uma equipe grande, trabalhando em apenas um propósito: levar os direitos humanos a lugares e povos esquecidos”, explica o psicólogo.
A ONG VOA, que conta com 75 associados de toda a região, tem realizado o projeto Ação Voando Baixo. “Já realizamos essa atividade com idosos e crianças carentes, e sempre é muito especial, pois disponibilizamos um dia inteiro de atividades diversas para assistir, entreter e informar, fornecendo toda a estrutura necessária, amparada por profissionais gabaritados em múltiplas áreas de atuação”, explica Munhoz, que também é servidor público.

Em São João, a Anistia Internacional está em fase de estruturação e conta com cinco ativistas permanentes. “Podemos participar de mobilizações nas ruas, sempre na pauta dos direitos humanos, como, por exemplo, a Parada LGBT”, explica Leme. Por sua vez, Batissoco, do Greenpeace, conta que na cidade os ativistas estão, neste momento, trabalhando para promover o debate sobre a construção de ciclovias. Além disso, a ONG faz campanhas de preservação ambiental, realizando palestras e minicursos em escolas da região, além de buscar manter diálogo com os governos e empresas locais. “Trabalhar em São João tem sido bem gratificante”, conclui.



















