POR DANIELA PRADO
Era uma vez, em uma cidade de belos poentes e montanhas, um padre chamado Carlos Roberto Vicente, que se compadecia ao ver crianças sofrendo violência, principalmente no ambiente doméstico – fosse a violência física, que deixava marcas no corpo, fosse a psicológica. Era o ano de 2001 e Padre Carlos, extremamente sensibilizado com essa situação, resolveu agir, ao perceber que podia mudar a vida dessas crianças, para minimizar o sofrimento delas.
Assim, em 8 de outubro de 2001, foi fundada a Casa de Apoio ao Menor Irmã Dulce – ou simplesmente Camid – instituição que completou 17 anos recentemente e já ajudou muitas crianças e adolescentes neste tempo de existência em São João da Boa Vista. Rodrigo Betinarde Pontes, o atual presidente da Camid, lembra que, no início, contavam com auxílio de voluntários que realizavam os cuidados diários com as crianças acolhidas ali.
Desde sua fundação, até os dias atuais, Rodrigo destaca algumas mudanças e avanços, como a construção da sede própria, agora adequada e totalmente adaptada às necessidades das crianças e adolescentes assistidos.
O presidente da Camid cita, ainda, a dedicação da diretoria em buscar recursos para que todo o trabalho realizado na casa se desenvolva a contento, e também a formação continuada de todos os membros da equipe técnica, coordenação, cuidadores e demais colaboradores – o que melhora a qualidade no atendimento aos acolhidos.
“Temos capacidade para abrigar vinte crianças e adolescentes. Hoje estamos com quinze acolhidos”, pontua ele. E esclarece que a Camid foi criada com o principal propósito de acolher crianças de zero a 17 anos e 11 meses, que estejam vivenciando algum tipo de violação de direitos em seu ambiente familiar, oferecendo-lhes todo o acompanhamento necessário para seu pleno desenvolvimento físico, psíquico e social, preservando e garantindo seus direitos, conforme prevê o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.
“Para efetivar o trabalho, a Camid conta, hoje, com uma equipe composta por assistente social, psicóloga, coordenadora, cuidadores, profissional administrativo, motorista, cozinheira, auxiliar de limpeza e uma diretoria ativa, comprometida com a missão, visão e valores da entidade”, ressalta o presidente.

Convém frisar que a Camid é um serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes que se encontram em situação de risco social – como maus tratos, abandono, violência, negligência, abuso (físico, psicológico ou sexual). “Tais crianças são retiradas do convívio familiar por determinação judicial e, após o acolhimento institucional, são acompanhadas por toda uma rede de serviços que prestam apoio à criança e sua família, como um todo”, revela Rodrigo.
FONTES DE RENDA
O Presidente da instituição explica que a Camid possui um convênio com a Prefeitura Municipal, que realiza o repasse dos recursos, mensalmente. “Como trata-se de um serviço de acolhimento, os custos para manutenção da casa são altos, dessa forma a instituição precisa entrar com a contrapartida, que são os eventos, o bazar e doações diversas”, justifica ele.
A população interessada em fazer doações podem levá-las pessoalmente à Camid – localizada, em São João da Boa Vista, à rua Santa Terezinha, 350, Santo Antônio, ou telefonar para (19) 3631-7183. Também é possível realizar doações em espécie, depositando a quantia na Agência 0022 – Banco Itaú, conta-corrente 53.000-0. “Pode nos ajudar doando alimentos, encaminhando à nossa sede ou solicitando que um dos nossos colaboradores retire em seu endereço. São aceitos itens de vestuário, eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e afins, sempre em bom estado, para venda em nosso bazar. Podem também adquirir itens da nossa loja, à rua Prudente de Moraes, 161”, sugere Rodrigo. Para quem tem interesse, é possível fazer outro tipo de ajuda, como seu próprio tempo para desenvolver atividades junto às crianças, como contar histórias, música, artesanato, entre outras atividades, sempre bem-vindas.

Contudo, Rodrigo pondera que é necessário apresentar um projeto do que se pretende realizar, para que seja apreciado pela diretoria e, assim, seja organizado o dia e horário em que irão se dedicar às causas da Camid. Outro ponto que merece destaque é no tocante a presenciar ou notar, em crianças e adolescentes, indícios de violência física e moral – como agir neste caso? O presidente da Camid enfatiza que qualquer pessoa que identificar uma situação de violação de direitos (violência, negligência, abuso sexual, abandono, etc) deve entrar em contato primeiro com o Conselho Tutelar da cidade, que é o responsável por receber, averiguar e se for o caso retirar a criança ou adolescente do ambiente familiar. A denúncia também pode ser feita pelo Disque 100, e chegará ao conhecimento do Conselho Tutelar do município.
O QUE É O DISQUE 100?
O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular), bastando discar 100. O serviço pode ser considerado como “pronto socorro” dos direitos humanos, pois atende também graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes, possibilitando o flagrante. O Disque 100 recebe, analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos.
NÚMEROS ASSUSTADORES
Segundo a Agência Brasil, dados do Disque 100 mostram que, só no ano passado, foram registradas um total de 17.093 denúncias de violência sexual contra menores de idade. A maior parte delas é de abuso sexual (13.418 casos), mas há denúncias também de exploração sexual (3.675). Só nos primeiros meses deste ano, o governo federal registrou 4,7 mil novas denúncias. Os números mostram que mais de 70% dos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes são praticados por pais, mães, padrastos ou outros parentes das vítimas. Em mais de 70% dos registros, a violência foi cometida na casa do abusador ou da vítima.











