Investidores sanjoanenses falam sobre as moedas digitais, seus riscos e oportunidades.

POR NICKOLAS SANTOS

Em tempos difíceis na economia, como vivemos atualmente, é natural que o brasileiro busque outras formas de aumentar a renda mensal. Há diversas formas de fazer isso: trabalhar em mais de um emprego, empreender, fazer investimentos. Quando se fala desta última opção, uma das atividades que tem ganhado destaque nos últimos anos é o investimento em criptomoedas. Para entender melhor do que se trata esse universo, nós conversamos com dois sanjoanenses que investem no segmento: Rafael Valim e Rafael Ansani.

O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS

Uma criptomoeda é um dinheiro digital, mas que desempenha o mesmo papel do dinheiro que estamos habituados a utilizar. A primeira foi criada em 2008 e, desde então, outras milhares surgiram. Atualmente, as criptomoedas mais conhecidas são o Bitcoin e a Ethereum. Um Bitcoin costuma valer mais de R$ 200 mil. Um Ethereum vale cerca de US$ 3 mil. Conforme explica o investidor Rafael Ansani, as ‘criptos’ são moedas que não podem ser tocadas ou guardadas na carteira. Outra característica é que elas são descentralizadas. “As Criptomoedas são descentralizadas porque não existe um órgão ou governo responsável por controlar, intermediar e autorizar emissões de moedas, transferências e outras operações. Quem faz isso são os próprios usuários da rede, que utilizam a tecnologia blockchain para registrar cada transação”, explicou Ansani. Rafael Valim acrescenta que outra característica das criptomoedas é a dificuldade de falsificá-las. “Uma criptomoeda é toda moeda digital, ou dinheiro virtual, constituída com base em criptografia – daí a origem do nome, o que torna as ‘criptos’ praticamente impossíveis de serem falsificadas”, falou.

REVOLUÇÃO EM ANDAMENTO
Na visão de Rafael Ansani, o fato de as criptomoedas não terem interferências do governo ou de terceiros, torna esse investimento mais vantajoso.

VANTAGENS

Na visão de Rafael Ansani, o fato de as criptomoedas não terem interferências do governo ou de terceiros, torna esse investimento mais vantajoso. Segundo o investidor, que está na área há 12 anos, as criptomoedas não estão expostas à inflação. “Os governos imprimem dinheiro de forma desenfreada, como aconteceu na pandemia da covid-19, por exemplo. O resultado disso é que mais moedas circulando geram inflação e perdemos bastante poder de compra. No universo das Criptomoedas os governos não têm qualquer controle. Eles não podem imprimir mais Bitcoin, por exemplo. Inclusive, algumas criptomoedas tem escassez de produção, ou seja, já tem um limite para ser produzido”, avaliou. Ansani também ressalta que as moedas digitais trazem facilidade em mandar dinheiro para qualquer lugar do mundo de forma muito rápida e segura, sem que seja necessário informar bancos centrais e seguir as regras de cada país.
Rafael Valim analisa uma outra vantagem. Ele enxerga que as criptomoedas são a porta de entrada para que o investidor participe de um movimento chamado WEB 3.0. Ele explica que essa é uma revolução na forma como grandes empresas farão transações financeiras, contratos, entre outros. E nesse movimento, as tecnologias serão as mesmas utilizadas no mercado de moedas digitais. “Há uma revolução em andamento, especialmente dentro das grandes corporações, que mudará desde a forma como se gerenciam operações internas até a possibilidade e facilidade de realizar contratos e pagamentos, como empréstimos bancários. (…) Isso vai ocorrer novamente através do avanço nas tecnologias de criptografia, blockchain, metaverso, etc”, destacou.

RISCOS

Valim aponta que um dos grandes riscos de investir em criptomoedas é a chance de ser hackeado, ou seja, ter a conta invadida e perder o dinheiro. Se isso acontecer, é praticamente impossível recuperar o que for perdido, uma vez que uma das garantias desse mercado é o anonimato de quem investe. “É importante salientar que mesmo havendo anonimato, as operações deixam pegadas digitais, que são utilizadas por agências como o FBI para efetuar prisões por crimes financeiros, mas esse não é um processo simples nem rápido”, afirmou. Outro risco do investimento em criptomoedas é a alta variação de preços. Segundo Valim, isso acontece porque não há um banco ou algum órgão que centraliza a atividade, o que torna difícil controlar o preço. “(…) as criptos valem o que realmente valem, que é o quanto o mercado está disposto a pagar por elas. Isso também explica porque a oscilação de preços é tão alta”, explicou. Por outro lado, Ansani aponta que as criptomoedas que estão há mais tempo disponíveis tendem a oscilar menos. “As moedas mais consolidadas já possuem uma volatilidade mais baixa, pois já tem mais volume de negociação e grandes investidores posicionados. Mas ainda assim, hoje em dia não existe nada mais volátil que as criptomoedas”, pontuou. Se os riscos são grandes, as recompensas podem ser ainda maiores. “Isso [oscilação de preço] é também uma grande oportunidade de crescimento de capital, já que o risco máximo é sempre a cripto ir para zero, porém ela pode subir infinitamente e multiplicar o seu dinheiro em muitas vezes”, ressaltou Ansani. “Invista apenas o que você realmente não necessite utilizar e possa abrir mão por muitos anos, preferencialmente faça isso aos poucos, pois é muito difícil acertar tudo em uma única tacada”, orienta Valim.

GRANDES VARIAÇÕES
Rafael Valim apontou que um dos riscos do investimento em criptomoedas é a alta variação de preços. Segundo ele, isso acontece porque não há um banco ou algum órgão que centraliza a atividade, o que torna difícil controlar o preço. “As criptos valem o que realmente valem, que é o quanto o mercado está disposto a pagar por elas. Isso também explica porque a oscilação de preços é tão alta”, explicou.

COMO ADQUIRIR CRIPTOMOEDAS

A primeira opção para adquirir criptomoedas é comprar direto em uma exchange (corretora). Basta criar uma conta, enviar o dinheiro e a corretora fornece a moeda. A melhor exchange, na visão dos dois investidores, é a Biance, que oferece toda a operação em português.
A segunda forma de adquirir criptomoedas é fazer a mineração. Neste processo, o minerador precisa resolver uma série de “quebra-cabeças” para conseguir autorizar as transações utilizando as moedas. Para isso, é necessário um grande sistema de computadores. Tanto é que há empresas, atualmente, que se dedicam à mineração de moedas digitais.
Para quem está pensando em começar a investir em criptomoedas, Rafael Ansani orienta que seja procurada ajuda de um profissional. “Tenha mentores sérios e acompanhe profissionais com bagagem em investimentos, para aprender as melhores técnicas de diversificação e alocação de investimentos”, recomendou.
Rafael Valim ainda faz um alerta para os investimentos nesse mercado no ano de 2022. “O ano de 2022 guarda um grande movimento de política monetária acontecendo nos EUA, devido à inflação. Esse movimento tende a chacoalhar bem os mercados, inclusive o de criptomoedas. É um ano de fortes oscilações, e para as criptomoedas isso pode parecer uma montanha russa de oportunidades e riscos. Portanto, trata-se de um ano para se ter muita cautela no mercado”, observou.