POR BRUNO MANSON

Ao longo de anos, o campo se tornou um verdadeiro refúgio para quem gosta de estar em contato com a natureza e a simplicidade do ambiente rural. Com a pandemia, a busca por destinos voltados ao turismo rural aumentou, uma vez que são lugares abertos e que oferecem maior segurança e controle de higienização. Locais próximos aos centros urbanos, com menor fluxo de pessoas e, de preferência, que oferecem um contato maior com o meio ambiente ou que até remontam momentos históricos se tornaram a principal alternativa para quem procura por momentos de paz e tranquilidade.

FAZENDINHA: Situado na Serra da Paulista, a Mini Fazendinha – Little Steel Border Farm oferece café colonial, um amplo playground e até passeio a cavalo. Mas os principais atrativos são os animais: o espaço reúne mais de 100 exemplares de 17 espécies diferentes.

O SONHO QUE VIROU REALIDADE

Em São João da Boa Vista, o empresário Gustavo Dominato criou a Mini Fazendinha – Little Steel Border Farm. Situado na Serra da Paulista, o empreendimento foi inaugurado no dia 24 de junho, em celebração aos 197 anos do município. A propriedade fica no km 4 e oferece café colonial, um amplo playground e até passeio a cavalo. Mas os principais atrativos são os animais. O espaço reúne mais de 100 exemplares, de 17 espécies diferentes, como mini cabras, mini vacas, mini coelhos, mini porcos, mini cavalos, lhamas, ovinos e avestruzes, por exemplo, tornando-se diversão garantida para as famílias.
Gustavo revela que tudo começou a partir de uma ideia de sua filha Helena, na época com 4 anos. Apaixonada por animais, a garotinha sonhava em transformar essa paixão em algo acessível para todos seus amigos da escola. Junto com a esposa Lígia Biazoto, ele começou a estudar como transformar este sonho em realidade. “Pensamos que esse nobre desejo de uma criança, em proporcionar ao máximo de pessoas possível, seria algo que realmente estivéssemos precisando para superar essa pandemia”, disse. Apesar de serem de áreas distintas do turismo rural, Gustavo e Lígia já tinham boa parte da estrutura necessária e dos animais. “Não abrimos a Mini Fazendinha com intuito financeiro e sim com propósito utópico e altruísta de conseguir construir um mundo melhor por meio de amor, respeito, afetividade e empatia pelos animais”, explicou o empreendedor.
O espaço funciona aos sábados, domingos e feriados, sendo necessário o agendamento prévio. A visitação é com número limitado de frequentadores para que todos possam ter a melhor experiência possível. Mesmo com pouca publicidade, a propriedade tem se destacado na região. “Apenas 8,7% do público que recebemos semanalmente é de São João. Os outros 91,3% são de todo Estado de São Paulo e Minas Gerais”, afirmou o empresário.

UM PASSEIO PELA HISTÓRIA

Quem passa por Águas da Prata não pode deixar de conhecer a Fazenda Santa Maria. Localizada na rodovia SP-342, no km 245,5, a propriedade foi construída por imigrantes italianos em 1896 e oferece uma verdadeira viagem no tempo.
O passeio é guiado por Gizela Junqueira Jacomini e Silva, a qual conta com entusiasmo toda a trajetória de seu avô João Rabelo Junqueira, fundador da fazenda que se tornou modelo na produção de cafés de qualidade. Junto com seu esposo Luti Dezena, ela relata alguns fatos históricos ocorridos no local, como os confrontos da Revolução de 32, por exemplo. “Aqui foi um dos poucos locais em que nós ganhamos. Houve confronto no túnel e no pontilhão”, comentou a proprietária. Em meio ao passeio, os visitantes podem conhecer o vandário e as demais dependências da propriedade, além de saborear um café na tulha.
Gizela conta que a ideia de transformar a propriedade em um ponto turístico foi sendo avaliada aos poucos. “No primeiro momento, pensamos só nas orquídeas. Seriam as vandas, vindas da Tailândia, e fomos montando a estufa”, comentou. “Com o tempo, minha sócia e cunhada Ângela Bonfante, juntamente com o Geraldo, Luti e eu vimos um potencial na tulha, que estava desativada. A partir daí, partimos para o restauro de todo aquele espaço. Foi criada primeiro a estufa. Depois as vandas chegaram e começou todo o restauro da tulha, mas sem sabermos ao certo o que viraria. E aí foram surgindo as ideias”, relembrou a empreendedora.
Segundo Gizela, com a flexibilização das atividades durante a pandemia, muitos visitantes têm procurado conhecer o espaço. “As pessoas ficam encantadas com a imensidão do lugar, de conseguir respirar um ar puro”, declarou a empresária, que já estuda novas ideias para a fazenda. “Pretendemos reestruturar o local para festas, como casamentos e aniversários de 15 anos, além de eventos corporativos. Esses são os novos desafios para este e o próximo ano que se inicia!”, adiantou.

FAZENDA HISTÓRICA
A Fazenda Santa Maria foi fundada em 1896 e localizada em região de paisagem privilegiada. O solo da região é propício para a cafeicultura e há uma estufa com orquídeas do gênero Vanda, de cores variadas e diversos preços. O lugar ainda tem um café instalado na tulha da antiga fazenda.

LAGOA PARADISÍACA

É quase impossível navegar pelas redes sociais e não se deparar com alguém que tenha compartilhado uma foto na Lagoa Santa Luzia, em Aguaí. A coloração azul da água contrasta com o céu e as areias da margem, formando uma paisagem paradisíaca e atraindo turistas e até mesmo sendo cenário para os mais variados ensaios fotográficos.
O lago surgiu devido à extração de areia e argila no local. Sua coloração excepcional se dá pelo pH da água em junção aos minérios ali existentes, não sendo utilizado nenhum tipo de resíduo químico ou tóxico. Seu nome se deve à devoção dos proprietários por Santa Luzia, a qual coincidentemente é retratada com os olhos na mesma tonalidade da cor da água da lagoa. Responsável pelos agendamentos das visitas, Alex Aziz da Silva Matt conta que tudo ocorreu de forma inesperada. “Sempre houve interesse da família após o término da extração feita pela mineração, transformar o local em algo turístico, porém, o que era para ocorrer entre três e cinco anos, aconteceu agora e nos pegou de surpresa”, comentou.

De acordo com ele, devido à pandemia e ao aumento do número de praticantes de ciclismo, as pessoas começaram a procurar algo fora da cidade que fosse seguro e bonito. “A procura pelas águas da lagoa começou a ganhar força, no início pelos próprios ciclistas e depois pelo público em geral. Isso foi uma das principais dificuldades que enfrentamos, pois não estávamos esperando o grande fluxo de pessoas e não tínhamos estrutura alguma para atender os visitantes. Não tínhamos local para que os turistas pudessem comer e beber algo antes ou após a visita”, relatou. “Hoje, estamos focando , aos poucos, em estruturar toda a lagoa e atender melhor, a cada dia, nosso público visitante”, explicou o empreendedor. Para conhecer o local, basta acessar o site www.lagoasantaluzia.com.br e agendar a visitação ou o ensaio fotográfico. As visitas são permitidas apenas aos finais de semana, enquanto que os ensaios, pelo número restrito de pessoas, podem ser feitos durante a semana e com acompanhamento de um responsável, uma vez que ainda está sendo feita a extração de areia e argila na lagoa.