O ator já estrelou novelas no SBT, Record TV e Rede Globo, além de peças de teatro e comerciais

POR PEDRO HERNANDEZ

Eu era muito tímido, do tipo que nem apresentava trabalho na frente na sala porque pra mim era o maior desafio do mundo”. Este é o relato do ator Michael Bertolucci, que desde 11 anos se despertou para o mundo das artes.

O filho da Rosemary e do Antônio enfrentou seu primeiro palco quando teve que substituir um colega na peça Os Saltimbancos, na Escola Estadual Teófilo Ribeiro de Andrade. “Eu entrava só na música do Jumento, fazia a coreografia e saia de cena. Falei: tá perfeito!”.

Durante os ensaios o pequeno Michael foi decorando não só a música, mas também as falas do personagem principal. “O protagonista não estava levando tão a sério, e toda a hora ele esquecia as falas e eu completava…A professora me perguntou se eu não queria fazer o Jumento”, completou Michael.

TEXTO NA PONTA DA LÍNGUA
Michael, ao centro com roupas marrons, interpretou o jumento na peça Os Saltimbancos. O então ator mirim decorou todas as falas da peça e se tornou o protagonista da cena.

O ator lembra que os ensaios aconteciam na casa dele, e a avó preparava um café da tarde para a turma que treinava no quintal. Com um sorriso no rosto, Michael conta que este foi o impulso que precisava para entrar de corpo e alma no mundo do teatro.

Depois de crescido, Michael escolheu cursar publicidade e propaganda, um curso que dependia de muita criatividade, fácil pra quem decora textos e encena peças teatrais. Em 2015, no último ano da faculdade, o ator foi pra São Paulo para participar do processo seletivo da Escola de Atores Wolf Maya. “No primeiro e no segundo módulo de aulas eu ainda não morava em São Paulo, e eu comecei a sentir a necessidade de estar lá por conta da rotina das aulas, porque eram muitos ensaios, cenas, muitos workshops, e essa rotina de ir pra São Paulo todos os finais de semana, estava pesando”, conta o ator.

CARREIRA NA TELEVISÃO

Ao término do curso, Michael conta que seguiu a rotina normalmente como modelo, até que os primeiros trabalhos foram chegando para comerciais de TV, e a primeira novela. As Aventuras de Poliana, do SBT, foi a estreia de Michael nas telinhas. “Foi sinistro! Eu não sabia a cena que eu ia fazer e nem com quem eu ia gravar. Quando me mandaram o roteiro, que eu vi que ia gravar com o Ivan Parente, eu fiquei mega feliz. Ele é uma referência pra mim do teatro, do teatro musical, e quando eu vi ele no camarim saiu o Michael ator e entrou o fã!”, relembra empolgado.

PAIXÃO PELO TEATRO
Michael também integrou a companhia de teatro Cena IV, e interpretou peças de Shakespeare além de diversas obras, em São João, mas também em palcos afora.

No meio do período, o sanjoanense foi de ator para apresentador de um programa educativo da TV Cultura, que apresentava vídeo-aulas de uma forma mais dinâmica para crianças de nove a 13 anos. Depois de lá, a próxima novela foi Reis, da Record TV, onde durante quatro meses Michael ficou instalado no Rio de Janeiro para as gravações.

Michael conta com orgulho sobre esta trajetória, e também relembra que como foi para a família ver o menino, que aos 11 anos fez a peça da escola, se tornar um ator de novela em rede nacional. “Nós que somos do interior não temos muito a percepção de como é esta vida, de como é um bastidor. Eu e minha família fomos descobrindo juntos como seria esta nova rotina, mas eles sempre foram me apoiando”.

SANJOANENSE COM ORGULHO

VIVENDO NA CAPITAL
Formado em publicidade e propaganda, o ator sanjoanense teve de procurar os mais diversos empregos para conseguir se manter em São Paulo. “Tive que me virar”, brincou.

O trabalho na TV mais recente foi a participação na novela das 21h da Globo, Terra e Paixão. Neste projeto, Michael conta que recebeu muitas mensagens nas redes sociais com elogios de sanjoanenses que admiram a atuação dele. “Eu fiquei muito feliz porque eu estava ali no mesmo camarim que a Tatá Werneck sabe? E o mais importante foi que eu não precisei passar por cima de ninguém, apenas segui o sonho daquele menino de 11 anos com muita paixão”.

Quando perguntado sobre o que ele diria para uma criança, que sonha em fazer teatro ou trabalhar em uma novela, Michael responde: “Se os olhos dela brilham quando ela atua, e se realmente existe muita paixão por aqui que ela está fazendo, eu com certeza incentivo a ela ir até o fim, sem limites! Ser ator é uma profissão que não tem barreiras, e ela te ajudar a sempre estar em processo de crescimento pessoal”.