POR ALÉXIA MELISSA

Você imagina um mundo sem fotografia? O recurso fotográfico é um tesouro muito preciso. Além de ser um tipo arte e uma forma de expressão, uma imagem carrega diversos significados e faz parte do acervo cultural e histórico de uma sociedade. Ela possui o poder de registrar para sempre momentos importantes que ficariam guardados apenas na memória. Por isso, faz parte de um conjunto de recursos que tenta traduzir uma época e comunicar rapidamente com quem observa. É um instrumento fundamental para explicar períodos e construir vínculos com o passado, pois é capaz de provocar múltiplos sentidos: a visão do próprio fotógrafo, a quem ele está apresentando a imagem e como será interpretada pelos receptores, estabelecendo o nexo entre o presente e o passado, guardando cuidadosamente as imagens que o tempo ausentou.

Sem o recurso fotográfico não lembraríamos de nossas próprias feições na infância nem muito menos de como foi o mundo anos atrás, por exemplo. Um simples click pode ser eterno e mudar a história da nossa sociedade. Para preservar o material fotográfico sanjoanense e, por consequência, resgatar a cultura local, alguns projetos ganham espaço na cidade. Desde o final de 2017, a Unifae guarda um acervo com fotos centenárias, que passaram pelas mãos de pelo menos quatro gerações de fotógrafos e historiadores. A manutenção deste material é possível graças a um trabalho de muitos anos que busca preservar um conjunto de obras que pertencia à família Gianelli.

A coleção dos Gianelli foi adquirida por Rodolfo Galvani, personalidade que se preocupava com a cultura da cidade, e, em seguida, doada à ProCultura Incubadora Cultural, localizada na antiga Livraria Papyrus, evitando, assim, que o material se perdesse ou saísse de São João. “Nosso objetivo é preservar a cultura riquíssima que a cidade possui e divulgá-la, por isso escolhemos a Unifae para receber a doação do acervo. A instituição, por meio de sua estrutura e compromisso com a sociedade, resgata memórias em projetos como o História Viva. Temos a certeza de que o acervo não só está sendo bem cuidado, mas também ampliado para fins educativos”, enfatizou Francisco de Assis Bezerra, um dos fundadores da ProCultura.

RELEITURAS DA CIDADE

O acervo conta com fotos em papel, negativos em vidro e quadros, um riquíssimo material que vem sendo catalogado e organizado para ser conhecido pela sociedade. Tendo em vista o rico material, o projeto Novo Olhar surgiu com a proposta de uma releitura da cidade: o antes e o depois. “Os alunos fizeram um primeiro levantamento de todo o acervo de fotos. Todas as originais foram preservadas e trabalhamos apenas com as cópias”, ressalta, o professor José Dias Paschoal Neto, coordenador da Central de Comunicação Social da Unifae.

A exposição Oh! Terra Encantada é um dos projetos desenvolvidos a partir deste material, contendo muitos momentos da paisagem e da vida de São João durante seus 196 anos de história. Todo o processo foi supervisionado pela professora Ana Paula Malheiros, também da Unifae, que responde, entre outras disciplinas, pelos conteúdos relacionados à fotografia e edição: “depois deste levantamento, foram selecionadas fotos dos locais que pudessem ser revisitados para comparar as imagens registradas na época com as atuais”, explica Ana Paula.

Em 2019, um grupo de alunos voluntários foi formado, entre eles, estão Amanda Caroline de Souza, Amanda Leonardi, Amanda Tonietti, Ana Paula Moraes, Gabriel Garcia e Lethycia Costa. “O projeto agregou de forma significativa e foi excelente para minha experiência acadêmica. Além de todo o aprendizado que pude adquirir convivendo com profissionais excelentes, também pude ter uma visão bem mais ampla do meu próprio curso acadêmico. As áreas de Publicidade e Comunicação são tão amplas, com a criatividade podemos fazer qualquer coisa que gostamos dentro delas”, relata a aluna Amanda Tonietti, do curso de Publicidade e Propaganda.

Além dos estudantes, o cineasta David Ribeiro e o professor Rafael Brunelli, participaram da produção das fotos, identificando técnicas e ângulos para a releitura das imagens. Após estes estudos, a equipe foi para a rua em diversos períodos, com a proposta pedagógica de mostrar as transformações ocorridas nos ambientes ao longo do tempo. Ana Paula explica que “a etapa seguinte foi o tratamento das fotos e a montagem da exposição, que foi pensada para a versão física –com estreia na Feira Juntô, e também virtual –inaugurada este ano”.

A ideia de que o resgate histórico da cidade é importantíssimo foi unânime entre professores, alunos e personalidades da cidade. Para o fundador da Procultura, “esse resgate é um ciclo que envolve fotógrafos, colecionadores, instituições e outros agentes que, em todo esse tempo, estão passando adiante esse tesouro cultural. O nosso desejo de preservar as memórias de São João não é somente no sentido de guardar, mas principalmente de divulgar para a sociedade”, destaca Assis Bezerra.
O professor Paschoal Neto enfatiza o caráter educativo do projeto, destacando que “a importância do resgate histórico é a essência que a Unifae carrega, pois a instituição possui essa característica de documentar acervos há muito tempo, principalmente na área de Comunicação, tendo não apenas um olhar do passado mas também do presente e futuro.”

Ao comentar sobre as próximas ideias, ele finaliza dizendo: “esse acervo, com certeza, trará muitos projetos futuros, sendo também objeto de ensino, pesquisa e extensão. Já estávamos conversando com a Diretoria de Educação do município e Associação Comercial para levarmos a exposição para as escolas como forma de conhecer a história de nossa terra e de estimular que as próprias unidades de ensino contassem as suas. Infelizmente, a pandemia adiou nossos planos. Por isso, resolvemos montar esta exposição virtual. É um dos presentes da Unifae para São João”.

A exposição está disponível no site da Unifae: www.fae.br/historiaviva.