POR DANIELA PRADO

Antigamente, lá pelo século XVIII, havia a figura do “médico da família”, que não se limitava a atender os pacientes em seus consultórios, mas ia à casa destes, dar injeções, examinar, saber como estavam passando e analisar na recuperação das chamadas “moléstias”.

Com o passar do tempo, a própria rotina de trabalho, repleta de horários e compromissos, aliada à nova realidade das grandes cidades, se encarregaram de redefinir a imagem do profissional de medicina, que passou a atender apenas em hospitais, clínicas e consultórios – e o paciente, ao invés de receber “o doutor” em casa, é que passou a ir até esses locais. Pois bem, esse capítulo da história, pouco a pouco, está sendo resgatado, com as atuais adaptações. E por inúmeros fatores, alguns destes profissionais estão aderindo ao atendimento médico domiciliar.

Trata-se de uma modalidade de atendimento em que o paciente que, por alguma razão tem dificuldades de ir até a clínica, recebe em sua própria residência os mesmos cuidados que teria em um ambiente hospitalar. Em São João da Boa Vista, há cerca de cinco anos, o médico nefrologista Ruy Cesar S. S. Sckayer, acompanhado da enfermeira Thais G. Padial Bastoni Sckayer, têm realizado esse tipo de atendimento domiciliar.“Com o aumento da procura por esse tipo de atendimento, decidi oficializar esse trabalho, que anteriormente era realizado apenas no intervalo de outras ocupações. A ideia sempre foi promover conforto e qualidade de vida para os pacientes, evitando que se desloquem para receber atendimento, principalmente aqueles que estão debilitados fisicamente”, conta Ruy Sckayer, sobre como surgiu esse diferencial em sua carreira.

Assim, tanto ele quanto Thaís argumentam que estão investindo no crescimento deste serviço, fazendo parcerias com profissionais de outras áreas, como pediatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e equipe de enfermagem.“O atendimento no domicílio promove maior bem-estar ao paciente. Ir ao consultório pode ser estressante em alguns casos e o deslocamento não é confortável para os pacientes que apresentam alguma limitação. Além disso, ser atendido em um ambiente familiar para ele, em que se sente seguro, faz toda a diferença”, revelam os profissionais de saúde.

Proprietários da Cuidar, eles destacam que a empresa atende a todos os tipos de patologias e todas as faixas etárias. “Porém, o maior número de pacientes acaba sendo de idosos, e em grande parte com alguma limitação, como Alzheimer, demência, problemas renais ou cardíacos”, conclui Thaís. Além da consulta médica, a Cuidar realiza ainda acompanhamento com enfermeira, caso necessário.

QUEM UTILIZA, APROVA

Algumas pessoas que têm tido a saúde assistida pelo médico em suas residências, demonstram estar bastante satisfeitas. “Minha mãe foi paciente do Dr. Ruy Sckayer, fazendo atendimento domiciliar por um longo período, até seu falecimento, aos 90 anos de idade. Ela havia sofrido um AVC hemorrágico e estava acamada, com dificuldade de ser transportada para atendimento médico. Estava sendo atendida em casa por uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga, a qual nos informou que o Dr. Ruy Sckayer fazia atendimento médico domiciliar. Ficamos todos encantados com a atenção e dedicação do Dr. Ruy, um profissional extremamente competente, humano, que cuida de seus pacientes, na maioria idosos, com muito carinho”, recorda Márcia Mansur, também médica, na área de pediatra.

Márcia acentua que, no caso de idosos ou de pessoas com dificuldade de locomoção, o atendimento domiciliar é imprescindível, pois oferece aos pacientes um tratamento mais humanizado, trazendo mais conforto e tranquilidade para aqueles que já se sentem vulneráveis fisicamente ou, às vezes, até mentalmente, dependendo da enfermidade que o aflige. “O Dr. Ruy e a enfermeira Thaís são pessoas iluminadas, além de profissionais muito competentes”, completa a médica, agradecida.

Opinião parecida tem a professora autônoma Shirley de Abreu Stahl Pella, cuja mãe, Santa de Abreu Stahl, também recebeu de Dr. Ruy e de Thaís um atendimento considerado ótimo.
“Um trabalho de muito profissionalismo, de disponibilidade de atendimento, que realizam com muito carinho e amor, com uma atenção especial à família, sanando qualquer dúvida ou insegurança”, diz Shirley. E acrescenta que a principal razão de optar por esse tipo de atendimento é manter o paciente em sua própria casa, onde já está acostumado e próximo das pessoas que ama.

“Isso é menos sofrido para a pessoa acamada, que recebe um tratamento mais humanizado. Como já dito, os cuidados são mais específicos e o ambiente mais natural para o paciente, que por sua vez pode se sentir bem cuidado com o tratamento especial. Além disso, por sua natureza, os ambientes hospitalares podem trazer riscos ao paciente, como por exemplo, infecções, as quais não ocorrem no ambiente doméstico. E com esse cuidado em casa, não é necessário a locomoção do paciente para uma consulta em ambiente externo, seja hospital ou consultório. O trabalho do Dr. Ruy e da enfermeira Thais é totalmente de acordo com o conceito de humanizado”, finaliza Shirley.

DIFERENÇA COM HOME CARE

Quando se fala em atendimento médico domiciliar, o termo é parecido, porém diferente de home care, que traduzido seria “Cuidado em Casa”. Jean Eli Bindez da Silva, fundador, sócio majoritário e diretor geral da empresa Viver Bem, que há sete anos atua em São João da Boa Vista, já tendo expandido para 10 cidades, explica por que.“Uma empresa de home care engloba todos os cuidados de saúde no âmbito domiciliar, com a equipe multidisciplinar completa, como por exemplo cuidador, técnico de enfermagem, enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogos, nutricionista, psicólogo, médico, dentista e outros”, esclarece ele.

Na Viver Bem, a média de visitas domiciliares aos pacientes é de no mínimo uma vez por mês, quando necessário. Mas Jean pontua que é no caso de avaliações – e não de urgência/ emergência. Para ele, esse formato de atendimento tem crescido muito nos últimos anos, sendo que o perfil de público que procura por atendimento na Viver Bem, geralmente, é de idosos.“Também estão neste grupo aqueles que estiveram internados por motivo de cirurgia ou qualquer outro problema, mesmo que tenham melhorado a ponto de ter alta hospitalar mas que, em sua residência, precisem de auxílio para suas atividades diárias. Ou seja, ele temporariamente ficará dependente de cuidados, até sua completa recuperação”, aponta Jean.

UBER DA SAÚDE: MÉDICO NA PONTA DOS DEDOS

A revista Exame trouxe, em maio de 2017, matéria a respeito de outra modalidade que pode ajudar nesse processo de atendimento domiciliar – o aplicativo Uber da saúde. São startups e apps como o Docway, por exemplo, em que os médicos cadastrados podem ser encontrados por quem procura atendimento, permitindo que se chame um médico com a mesma facilidade com que se pede um uber. É só baixar o aplicativo (disponível para Android e iOS), cadastrar-se, localizar a especialidade / preço do médico que precisa e agendar a consulta.

No próprio aplicativo é possível efetuar o pagamento, por cartão de crédito e até pedir reembolso, caso o paciente tenha plano de saúde. Até àquela ocasião (maio de 2017), o Docway contava com cerca de mil médicos cadastrados e eram agendadas 200 consultas por mês.