
Por Francisco Arten
Durante décadas, momentos esperados em São João da Boa Vista eram os desfiles de aniversário, no dia 24 de junho e do 7 de setembro. Os alunos das três principais escolas se preparavam intensamente para estas ocasiões: Escola de Comércio, Colégio Santo André e Ginásio São João – atual Cel. Cristiano Osório de Oliveira – disputavam qual melhor se apresentaria. A disputa ia além das escolas, envolvendo toda a cidade e dividindo as preferências. O ponto principal das apresentações eram as fanfarras. Cada qual com seu estilo e calorosa torcida.
Em clima de intensa disputa, as escolas se encontravam na praça Armando Salles, devidamente distantes. Dali, o desfile seguia para à Praça Joaquim José, contornando o jardim e indo em direção à Avenida Tereziano Valim. Subiam a Gabriel Ferreira em direção à Avenida Dona Gertrudes, descendo a avenida, onde se apresentavam às autoridades e aos jurados, que escolheriam qual a melhor fanfarra.
O professor João Batista Scanapiecco conta que a maioria aguardava na Avenida Dona Gertrudes a apresentação, mas sabiam, antecipadamente, qual delas subia a Gabriel Ferreira pelo estilo de tocar. A do Colégio Santo André, mais delicada, certamente por ser formada só por meninas; a da Escola de Comércio era a que tinha a batida mais forte – certamente por ser formada por jovens trabalhadores, que estudavam no período noturno.

EMOÇÃO
Este clima de disputa acirrada marcou as décadas de 50, 60 e até meados de 1970. O ano inesquecível foi 1957. No dia 5 de agosto, uma tragédia comoveu a cidade. O Ginásio São João foi vítima de um incêndio. O prédio, que funcionava em frente ao Terminal Urbano, havia sido inaugurado em 1927 e o incêndio destruiu biblioteca, laboratório, salas de aula e todos os instrumentos da fanfarra. E tão próximo ao 7 de setembro.
O incêndio sensibilizou a cidade e todos davam como certo que, pela primeira vez em muitos anos, o Ginásio São João não teria condições de desfilar. Porém, eram estudantes e professores aguerridos. O organizador da fanfarra, professor Hilo de Andrade Só, preparou seus alunos com muito empenho, surpreendendo São João da Boa Vista.
Naquele Dia da Pátria, todos aguardavam com tristeza o desfile do Ginásio São João, certos de que seria melancólico pela ausência da fanfarra. De repente, um som vibrante tomou conta da Avenida.
Lá vinha o Ginásio, o Instituto de Educação, com seus alunos marchando orgulhosamente. À frente, o professor Hilo comandava a fanfarra, montada de última hora, usando latas velhas como instrumentos improvisados.
Dizem que foi o mais emocionante dos desfiles que São João da Boa Vista já presenciou. Não houve sanjoanense que não se emocionasse e chegasse às lágrimas ao ver a fanfarra de lata: exemplo de superação e amor à escola.












