
Por Mirela Borges
Casas sustentáveis são aquelas projetadas e construídas a fim de respeitar o ecossistema, seguindo os princípios da sustentabilidade ambiental e garantindo o bem-estar dos moradores. Essas casas são feitas a partir de mecanismos que diminuem os impactos ambientais, como aproveitamento de água da chuva, purificação da água utilizada na casa, utilização de materiais orgânicos e energia solar.
Em Águas da Prata, há uma comunidade que possui uma construção e vivência totalmente sustentáveis. O projeto que leva o nome de Círculo Vivencial Terra Viva existe há cinco anos e funciona como um laboratório de experimentação. No cotidiano, os moradores realizam experimentos de técnicas e conhecimentos não tradicionais para suprir necessidades universais básicas em harmonia com a natureza local e consciência planetária.
O PROJETO
A motivação para criar o Círculo Vivencial Terra Viva veio a partir do respeito que os mantenedores e moradores Nathália Luvizaro e David Moisés têm por todos os seres vivos que compõem o ecossistema. Desde 2014 as construções da comunidade são feitas de modo a facilitar as necessidades básicas e aproveitar as características do local, como luz, ar e relevo.
A comunidade, que é a casa de David e Nathália, é mantida por eles próprios. Com a ajuda de um amigo, os dois constroem as casas sustentáveis com argila, areia e mato picado. Além disso, eles ainda difundem os ensinamentos cultivados lá por meio de cursos de técnicas de construção e venda de comidas e remédios naturais.
No projeto, a alimentação é à base de ingredientes naturais: o pão é cozido no sol, com aveia hidratada e trigo germinado e há também horta e pomar no local. O setor de reutilização e limpeza de água da comunidade é feito através de uma bacia de evapotranspiração; as paredes são feitas com terra do local; o banheiro é seco, o que reduz a zero o índice de contaminação do solo e das águas, além de facilitar a limpeza no dia a dia. As casas são frescas no calor e aconchegantes no frio, e ainda mantêm a umidade ideal.
Segundo Nathália, a finalidade do projeto é sair o máximo possível do mecanismo de consumo e extração da natureza e caminhar no tempo natural das coisas, mirando atender às necessidades humanas de uma maneira equilibrada.
“Temos que ter consciência de onde as coisas vêm e como são feitas e saber de perto os processos envolvidos. Devemos conhecer as necessidades e buscar alternativas mais coerentes com a paz para todos os seres”, exaltou Nathália Luvizaro.

CUSTO BENEFÍCIO
A relação de custo e benefício que uma casa sustentável oferece varia muito para cada pessoa e situação. No entanto, são bem mais vantajosas que as construções convencionais. Por exemplo, um cômodo de mesmo tamanho ganha em equilíbrio de temperatura e umidade se as paredes forem feitas com terra e, se este mesmo cômodo for feito com cobertura verde, há a possibilidade de dispensar a laje e obter um ambiente fresco.
O maior investimento que uma casa ‘ecologicamente correta’ demanda é em mão de obra, pois os materiais utilizados em sua construção são naturais, como terra, madeira e bambu. Apesar disso, este mesmo cômodo pode sair até pela metade do valor de um convencional. As bioconstruções dispensam produtos de limpeza e mantém as casas vivas, além de serem práticas e precisarem apenas de breves manutenções, como uma nova camada de argila na parede, por exemplo.
“O mais interessante é que uma bioconstrução pode ter muitos recursos tradicionais utilizando técnicas simples espelhadas na natureza, como uma casa com ar-condicionado, água quente, luminosidade e móveis embutidos, por exemplo”, revelou Nathália Luvizaro, fundadora e mantenedora do projeto Círculo Vivencial Terra Viva. Além de reduzir custos, ao optar por essa opção sustentável, 70% dos impactos ambientais dissipados nos processos industriais são reduzidos e, assim, sua casa fica de fora desta rede de exploração abusiva de recursos naturais.











