ONG promove a representatividade LGBT em São João

Por Andressa Souza

Em um mundo cada vez mais plural, ainda há quem sofra por ser diferente com a própria opção de vida. Em 2018, 420 LGBTs morreram no Brasil, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia. Não há dados oficiais sobre casos do tipo. Em mais de setenta países, a homossexualidade é considerada crime. Diante de um mundo tão preto e branco, a Associação & Grupo Quatro Estações (A.G.Q.E), de São João da Boa Vista, é uma ONG que luta contra a descriminalização e traz a tona o arco-íris da diversidade LGBT.

Há onze anos o Quatro Estações promove a Parada do Orgulho Gay da cidade. Um dos fundadores, Wellington Ambrozio, conhecido como Yco, conta que a Parada Gay e a ONG nasceram durante um momento de descontração entre amigos. “O Grupo Quatro Estações surgiu enquanto estávamos em um churrasco, em uma conversa, quando a gente decidiu fazer a primeira parada LGBT, em São João da Boa Vista. No começo foi difícil. No dia da primeira Parada choveu muito. Havia dez pessoas. Nós achamos uma loucura. Particularmente pensei que nem continuaria, mas acabou que deu tudo certo”, conta Yco.

Crescimento

A Parada não só continuou, como ganhou mais integrantes. Com apoio de setores públicos, hoje o evento conta com uma infraestrutura de dois trios elétricos, diversos artistas e, segundo a organização, cerca de cinco mil pessoas prestigiam o evento. De acordo com Yco, ao longo dos anos, a Parada ajudou a mostrar a representatividade LGBT na cidade. “Todo ano o nosso principal foco é fazer com que as pessoas enxerguem que a Parada não é bagunça”. Não é um evento tipo carnavalesco. Nós queremos mostrar que o grupo Quatro Estações está de portas abertas para todo mundo”, afirma.

Para Yco, entre os principais frutos do Quatro Estações, estão as sutis demonstrações de amor entre casais homossexuais no espaço público. “Eu ando bastante pela cidade e vejo que hoje em dia há mulher com mulher dando a mão, homem com homem se abraçando, o que até seis anos atrás não existia, que não podia, mas agora isso está melhor”, comenta o fundador. Ele ainda ressalta. “Quanto mais preconceito existir, mais resistência vamos ter”.

Desde 1990 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou da lista de transtornos mentais identidades trans e a homossexualidade. O psicólogo, Daniel Furtado, explica que a organização entendeu que esses fatores são condições do ser humano e não transtornos. “Há uma condição como em qualquer outra pessoa hétero. Então, não há um transtorno a ser tratado ou cuidado, e sim uma condição existencial. Desta forma, não há um caminho da psicologia que determine o que se fazer com aquilo que não é um transtorno. O que tem de ser feito é como em qualquer questão existencial de qualquer ser humano”, afirma.

Quatro Estações trabalha durante o ano todo para “promover a cidadania e os Direitos Humanos como um todo”. Pessoas interessadas em entrar em contato com a ONG podem acessar a página no Facebook: facebook.com/associacaogrupoquatroestacoes.


Novos ventos vindos do Centro-Oeste

No dia 13 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal iniciou a discussão sobre a criminalização da homofobia. O primeiro Projeto de Lei sobre o assunto foi apresentado na Câmara dos Deputados em 2001, mas foi arquivado. Depois dele, outros projetos também foram apresentados, porém tiveram o mesmo destino. Por isso, o tema chegou à Corte por meio de ações protocoladas pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Intersexos (ABGLT) e o Partido Popular Socialista (PPS).

De acordo com dados do Instagram, as hashtags #Écrimesim e #CriminalizaSTF juntas estiveram presentes em mais de 40 mil postagens na primeira semana de votação no STF. A decisão do Supremo sobre criar regras temporárias para punir os agressores, até a aprovação da matéria no Congresso Nacional, ainda não foi tomada.

Até o momento, quatro ministros votaram a favor da criminalização, são eles: Celso de Mello, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. A volta do tema ao plenário do Supremo não tem data marcada, de acordo com o presidente do STF, Dias Toffoli.